Ocupa Cacilda!

Sexta Semana, a Metade já se Foi

O Ocupa Cacilda! chega a sua sexta semana. Já passamos da metade da ocupação, que se encerra no dia 18 de outubro. Já estamos com saudades antecipadas do Teatro Cacilda Becker que nos acolheu com muito carinho e disposição. Passamos semanas intensas, mas as equipes do Teatro e da Ocupação seguem em plena harmonia, sempre preparadas para as próximas apresentações e novidades pensadas para aquela semana.

Tivemos o segundo Palco Aberto do mês com apresentações arrebatadoras. Agarratur, de Carol Costa e Mário Martins, trabalha dois corpos em um único espaço. Como ocupar algo que não é dado, que não existe? A luta pelo espaço e a ligação dos corpos é traduzida nos movimentos dos performers. A noite seguiu com o trabalho Todo lugar é o meu lugar de Manuela Lacerda que consiste em um ritual de libertação através da ressignificação do novelo como objeto para o novelo como símbolo das inquietações que nos aprisionam. Encerramos a noite com Em Nome do Corpo de Andreia Pimentel, uma performance vigorosa e forte que impressionou a todos na plateia.

Seguimos com mais uma edição do Cardápio Cacilda, o segundo em parceira com o Canal Curta. O público pode conferir um documentário sobre os ritmos do maracatu no formato de um curta metragem e, em seguida,  assistimos a um outro documentário, esse sobre a grande bailarina, coreógrafa, professora, articuladora cultural da dança, mãe, esposa, mulher; Angel Vianna. O filme faz um panorama da carreira dessa grande mulher, que marcou e marca a história da dança no Brasil.

O segundo espetáculo do mês de setembro veio diretamente de São Paulo mas com um gostinho nordestino. A companhia Ângelo Madureira e Ana Catarina Vieira desembarcou no Ocupa Cacilda com Delírio, um solo de Ângelo Madureira que investiga uma dança social típica de Pernambuco: o frevo. O espetáculo foi muito bem recebido e inaugurou nosso espaço para acessibilidade de deficientes auditivos. Uma das sessões contou com a presença de um intérprete de libras para conversar com a plateia e permitir o acesso ao espetáculo de uma parcela da população que possui esse tipo de deficiência. O programa de acessibilidade se estende por mais dois espetáculos, BÔ da Cia REC e Suave da coreógrafa Alice Ripoll. A sessão de sexta feira dos dois espetáculos contará com o intérprete de Libras.

No domingo tivemos nosso segundo Ensaio Aberto com os performers do programa Se Me Dessem um Teatro. Iniciamos a noite com Diego de Carvalho e seu grupo Companhia CaZul. A nova criação do grupo, Octo, explora os pecados capitais. Diego mostrou mais um trecho do espetáculo e abriu para uma troca com o público no final da apresentação. O Grupo Imã de Mickael Veloso, apresentou a criação Saliva. O desejo continua se mostrando como grande norteador da criação e pulsa forte em cada movimento dos bailarinos. Percebemos, a cada apresentação, como as conversas com o público são enriquecedoras tanto para os grupos quanto para a plateia. A formação de espectadores de dança se dá nesses momentos, quando um indivíduo vai assistir a um espetáculo, se encanta e consegue trocar, por palavras ou olhares, com os artistas. Reforçando o nosso desejo inicial, de que o Ocupa Cacilda! fosse mais uma célula na rede que se preocupa em difundir as criações e pensamentos de dança no Rio de Janeiro; acreditamos que esse feito está sendo realizado, seja através das conversas pós espetáculos ou ao percebemos que estamos formando um público cativo que retorna a cada novo espetáculo. Assim nosso desejo de fomentar e ocupar se multiplica e se torna o desejo de novos indivíduos. E com esse domingo produtivo terminamos mais uma semana de Ocupação.

 

VEM OCUPAR O CACILDA COM A GENTE!