Ocupa Cacilda!

E por Falar em Conversa

Não cansamos de repetir, queremos ser um espaço democrático, um espaço onde a dança pode ser ouvida e pensada. Por isso valorizamos imensamente nosso programa de conversas dentro do Ocupa Cacilda. Durante as onze semanas em que estamos no Teatro Cacilda Becker realizaremos três bate-papos (dois já foram realizados e o último será feito na quinta-feira, dia 15 de outubro). Apesar de não atraírem multidões, as conversas sempre tem boa reverberação entre os presentes e a troca é inigualável.

Nossa primeira Conversa foi no mês de Agosto. A pauta era dança e educação e, sendo assim, chamamos professores da Faculdade Angel Vianna e do curso de dança da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Conforme íamos conversando, a gama de temas ia se ampliando. Não podemos falar apenas da educação de dança na faculdade, também precisamos entender onde esses profissionais, quando terminam sua educação, podem ser alocados. Na conversa se tornou mais uma vez claro as dificuldades para se conseguir espaço para a dança, pois mesmo que agora pertença aos currículos do ensino médio e fundamental, o espaço para a realização dessa atividade na escola muitas vezes não existe. Como se tornar um profissional capacitado se não existem espaços que ajudem ao seu desenvolvimento? Onde trocas e descobertas possam ser realizadas? Mas, mesmo com esse cenário negro, existem saídas, na conversa debatemos a importância que existe nas articulações de redes de contatos para que jovens profissionais possam circular e descobrir com quem já faz dança. O cenário é difícil, mas através de soluções alternativas a dança se espalha e cria maneiras criativas de penetrar diferentes espaços.

A conversa do mês de setembro contou com a presença de coreógrafos e bailarinos de espetáculos em cartaz no Ocupa Cacilda. A temática era a dança social, como eles seguiram o caminho desse estilo, quais dificuldades encontraram e como enxergam o cenário da dança social na atualidade. Foi um grande aprendizado ouvir a história de cada um desses indivíduos. Descobrir como a dança tem um papel não apenas profissional em suas vidas, mas um papel transformador. A dança mudou a vida de muitos, os afastou de um caminho que poderia ter levado a morte, como nos confessou um dos convidados. Os palestrantes também debateram sobre a aceitação da dança social nos espaços mais “sérios” como a academia e o teatro. Preconceitos ainda existem como noutros tipos de danças, mas a vontade de continuar nesse caminho os torna resistentes e prontos para enfrentarem as dificuldades. Acabamos sendo levados a conversar, novamente, sobre as dificuldades na dança, as dificuldades para ensinar, para  viver de dança, para ser respeitado por ser um profissional da dança, dificuldades incontáveis. Mas é através da persistência e vontade que eles não deixam de dançar.

Ao final das duas primeiras Conversas, e aguardando a terceira, percebemos como é difícil viver de dança. Curioso notar que tal fato não acontece com outras profissões. Não é comum ouvir alguém perguntar a um estudante de engenharia se ele tem certeza que quer seguir essa profissão. Por que para o profissional de arte essa sempre é uma pergunta recorrente? Por que não respeitam e apreciam as escolhas de cada um? A luta se torna cada vez mais difícil quando ouvimos essas indagações. Mas, o que é mais surpreendente é a vontade de continuar eu percebemos em inúmeros indivíduos em diferentes áreas das artes. Cada vez mais eles lutam pelo espaço das artes, lutam pela dança. E a luta ocorre em diferentes instâncias, dentro das universidades, no governo, nas companhias, onde existir um profissional de dança disposto, a luta se apresenta.