Ocupa Cacilda!

Vivemos, habitamos a Terra, nos relacionamos com outros seres, formamos famílias, criamos amizades. Mas estamos sempre sozinhos, traçando nossa própria órbita, porém sempre tentamos esquecer a solidão através de nossos relacionamos, colidindo nos outors, criando contatos.

Cada um tem seu caminhar, respira e transpira seus fluxos, não necessariamente interligados mas de alguma forma conectados.  se inicia dessa forma, corpos desconectados, cada qual produzindo seu movimento, existindo, criando seu espaço, porém todos relacionados de alguma forma, circulando um ser, um ente. Se formos comparar com os planetas, o denominador comum seria Sol. No caso de  parece existir um indivíduo norteador, que irá nos guiar e alinhar os outros corpos que habitam aquele espaço. Esse ser surge na figura de um indivíduo bem apessoado, trajando roupas sociais, mais formal impossível. Enquanto isso todos os outros corpos estão caracterizados com roupas “comuns”, que não forjam identidades marcadas como o sujeito de terno e gravata consegue criar. Mas, apesar de seu vestuário e pose de narrador, de Sol, ele mesmo está a procura de seu lugar, da sua órbita. Não existe um eixo único, ao longo da peça nos são apresentados diferentes eixos. Eixos que são criados e destruídos enquanto aquele tempo ainda existe.

Há unidade mesmo quando essa não se torna aparente. A vontade de conectar, de se juntar é traduzida nos choques, colisões que esses corpos quase celestes sofrem. Assim como vemos corpos diferentes, em busca de uma linguagem, de um lugar; o espetáculo não deixa de nos mostrar que, ao final de tudo, somos apenas carne, apenas matéria. Carne humana tratada como mercadoria, seja na época da escravidão ou até mesmo nos dias de hoje onde nossa carne é comercializada através do mercado do sexo ou dos corpos “perfeitos” das modelos usados como um cabide para estimular a existência de uma sociedade de consumo desenfreada. Corpos, com diferentes usos mas com uma finalidade igual: a de ser consumidos.

 parece revelar as semelhanças entre o macro e micro cosmos. Espaços onde corpos navegam a procura de uma órbita que permita o diálogo, que mostre que eles são mais que corpos, que conseguem se relacionar e se transformar, não são apenas matéria; são sentimento e vontade.